E se a memória começasse pela atenção?

Às vezes preocupamo-nos porque nos esquecemos de um nome, de onde deixámos as chaves ou do que íamos fazer quando entrámos numa divisão. Mas há uma pergunta interessante que podemos fazer antes de culpar a memória: será que estávamos realmente atentos?
É aqui que pode entrar o Mindfulness, ou atenção plena.
Mindfulness é, em poucas palavras, a capacidade de estarmos presentes no momento, conscientes do que estamos a fazer, do que sentimos e do que acontece à nossa volta, com curiosidade e sem julgamento.
E o que é que isto tem a ver com a memória?
Muito começa na atenção. Para nos lembrarmos de alguma coisa, primeiro temos de a registar. Se alguém nos diz o nome de uma pessoa enquanto estamos a pensar no que vamos fazer a seguir, talvez o problema não esteja em "ter pouca memória": simplesmente não estivemos suficientemente presentes para guardar a informação.
A prática de Mindfulness treina precisamente essa capacidade de voltar ao momento presente quando percebemos que a nossa mente se afastou. É um pequeno exercício que repetimos vezes sem conta: a atenção foi embora → percebemos → trazemo-la de volta.
E podemos praticá-lo sem nos sentarmos de pernas cruzadas durante meia hora! Podemos fazê-lo enquanto bebemos um café, prestando atenção ao sabor, ao cheiro e à temperatura; durante uma caminhada, reparando no que vemos e ouvimos; ou numa conversa, concentrando-nos verdadeiramente naquilo que a outra pessoa está a dizer.
Alguns estudos encontram benefícios do mindfulness em funções cognitivas como a memória de trabalho, embora a investigação ainda não permita afirmar que a prática melhora, por si só, a memória de longo prazo.
No fundo, podemos resumir da seguinte forma:

E isso já é uma boa razão para experimentar.
Se ficou curioso e quer saber o que é, afinal, o Mindfulness,como se pratica e o que podemos esperar dele, pode consultar o artigo da Transições: "Afinal, o que é o Mindfulness?" aqui
Ana Paula Melo
Agosto 2026
