5º Aniversário Transições  José Aleixo Dias

17-03-2026

Os meus cinco anos de Transições

Numa tarde soalheira de 2021, sentados a uma mesa do club-house da Beloura, procurávamos uma reidratação de emergência com uma "girafas", enquanto o "prego" retemperador não nos era servido. Eis, senão quando, um de nós colocou a questão:
- Já ouviram falar de Transições – perguntou a Teresa Gomes.
- É por elas que estamos muitos de nós a passar agora - respondi.
- Transições é um projecto de partilha de conhecimento e de experiências, promovendo uma vida activa e de qualidade aos cidadãos seniores na transição para a reforma – disse o João Jesus Ferreira.
- Interessante!

A verdade é que eu e alguns outros parceiros não conhecíamos, não tínhamos ouvido falar e ficámos interessados em descobrir. Passei a palavra em casa e a minha esposa também aderiu e participou activamente no grupo de Leitura. Eu, iniciei-me com uma caminhada no Cabo da Roca e hoje, cinco anos mais tarde, posso afirmar que foi das descobertas mais interessantes que vivenciei, e de que estou ainda a usufruir.

Na escrita estreei-me com uns textos sobre temas sugeridos, ou de livre iniciativa que, entretanto, ia submetendo de forma ocasional. Depois o "bichinho" da escrita foi-se instalando e de ocasional a prosápia passou a regular. As crónicas que redigia, normalmente diárias, passaram a ser várias no mesmo por dia e, paulatinamente, criei o hábito (ou vício) de rabiscar.

Não sou fã das redes sociais mas, um dia, fui contactado por Transições: "Sabe que tem seguidores regulares?". Não! Não fazia menor ideia. "Pois tem, e gostaríamos que integrasse o nosso Grupo Editorial". Aceitei e nessa qualidade me mantive algum tempo.

Mais tarde, dei-me conta que tinha já escrito umas centenas de textos e crónicas que resolvi editar como autor, numa tiragem pequena e apenas para ofertar à família e aos amigos. Como escrevo relativamente depressa e nunca tive notas famosas a português, não só dou alguns erros, como me engano imenso a colocar as vírgulas. Precisava, ainda, de alguém que, de forma independente, e sem pejos, me corrigisse os erros: uma revisora. Mas não era a única lacuna que carecia de preencher, também precisava de um paginador com quem discutisse a gramagem das folhas, os formatos e os conteúdos para as capas e ilustrações. Adoptei então também a figura do paginador, e com esta trempe, publicámos até agora dez livros.

Primeiro foram três publicações de memórias, depois "Eu & Eu" em parceria com a minha esposa, e "Trabalhos de Casa" em 2023. Quando procurava uma capa para o meu segundo livro de crónicas, conheci o António Vaz numa exposição de Transições em Telheiras e fiquei perfeitamente deliciado com os seus trabalhos, a tal ponto que foi ele que me pintou a capa de "Bagagem de Mão" em 2024.

Nesse ano ainda publiquei "Melão Por Abrir" e no ano seguinte, "É Um à Noite Ao Deitar". Agora já não estava sozinho, tinha uma equipa que me estimulava a continuar.

O que nunca procurei, talvez por modéstia, foi um editor. Um dia uma antiga colaboradora que leu alguns textos, telefonou-me dizendo: "Mas porque é que não publica comercialmente?". A resposta foi simples: "Porque não viso nenhum benefício comercial". "Mas, assim, apenas um pequeno grupo de pessoas tem acesso ao que escreve!"

Meditei algum tempo neste comentário e decidi-me em 2025 editar "Prazeres sem Creme", uma vez mais ilustrada pelo exímio António Vaz que, ainda por cima, me ofereceu o quadro que deu estampa à capa. Esta edição foi publicada na Amazon e está disponível de forma global desde Dezembro de 2025. Passados três meses e com base nos exemplares vendidos, concluo que: ou as pessoas não gostam de crónicas, ou detestam aquilo que eu escrevo.

Ainda assim, atrevi-me a avançar com o um romance histórico "A Saga dos Bem-Casados" que me demorou dois anos e meio a escrever e que voltarei a colocar na Amazon. Quanto a este, ainda não sei se vai vender muito ou pouco e, honestamente, pouco me importa. Importa-me sim dar a conhecer aspectos da nossa história que, julgo, poucos conhecem e espero que se divirtam a ler, nem que seja para me apontarem erros ou inconsistências.

Entretanto e porque o "bichinho" não despega, estou a escrever "A Premiada", inspirado na viagem que fiz na caravela Vera-Cruz de Saint-Malo para Lisboa em 2025. Se por acaso o tema vos interessar, podem experimentar, mas, não sem antes tomarem um comprimido para o enjoo, pois os ventos e as correntes são fortes e a caravela abana um bocadinho.

O meu agradecimento a toda a equipa de Transições pelo apoio e estímulo que nos têm dado, em particular: à Teresa Marques, à Hélia Jorge, à Ana Paula Tavares de Melo, ao Jorge Gonçalves da Silva, ao José Cunha, ao Paulo Correia e ao António Vaz.

Sem vós nada do que atrás descrevi teria acontecido, e nós, não teríamos tido a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas como VOCÊS!

Bem hajam!

Lisboa, 15 de Março de 2026

José Aleixo Dias

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