António Vaz

Pintura: uma paixão que une e inspira
A pintura é, para mim, muito mais do que um passatempo. É uma forma de expressão que me permite transformar ideias, emoções e momentos em algo visual e único. Sempre que pego num pincel, entro num espaço onde a imaginação se manifesta livremente, sem limitações.
O que mais me fascina na pintura é a possibilidade de explorar diferentes técnicas e descobrir novas formas de comunicar através das cores, das texturas e das formas. Gosto de experimentar materiais e métodos variados, desde pinceladas suaves e delicadas até técnicas que criam contraste e profundidade. Cada pintura representa uma oportunidade de aprendizagem e de crescimento pessoal.
A criatividade surge de muitas formas. Por vezes nasce de uma paisagem, de uma fotografia, de uma conversa ou simplesmente de uma emoção vivida, de um determinado momento.
Embora nunca tenha tido formação artística, reconheço que a pintura me desafia, inspira e motiva continuamente a criar novas imagens que nascem da minha imaginação.
Contudo, um novo desafio surgiu quando fui convidado a dinamizar a comunidade de Pintura das Transições. Desde o primeiro momento senti que esta experiência me proporcionava uma oportunidade única de trabalhar em conjunto com pessoas que partilham o gosto pela criatividade e pela arte.
Ao longo desse percurso, tenho vindo a lançar na Comunidade das Transições vários desafios de pintura que foram muito bem acolhidos pelos participantes. À medida que o entusiasmo e a qualidade dos trabalhos crescem, vamos colocando na galeria virtual das Transições. Naturalmente surgiu a vontade de dar um passo seguinte: criar exposições presenciais onde cada participante pudesse mostrar os seus trabalhos e partilhá-los com toda a comunidade e com o público em geral.
Os resultados têm sido extremamente gratificantes. Cada nova exposição revelou não só o talento dos participantes, mas também o enorme interesse e admiração de todos os que tiveram oportunidade de visitar e apreciar os trabalhos apresentados. O crescente número de obras levou à criação de uma equipa de Curadoria das Transições, responsável pela seleção, organização e montagem das exposições, o que tornou todo o processo muito mais eficaz.
Começámos com cerca de 18 participantes. Hoje, cinco anos depois, somos aproximadamente 50, com idades compreendidas entre os 50 e os 101 anos. Esta diversidade demonstra que a criatividade não tem idade e que a vontade de aprender e criar pode acompanhar-nos ao longo de toda a vida.
Ao longo destes anos promovemos seis desafios de pintura que deram origem a sete exposições, realizadas na Biblioteca Orlando Ribeiro, na Junta de Freguesia do Lumiar e no Fórum Grandella. Todas elas registaram uma excelente participação dos artistas e um grande interesse por parte dos visitantes.
As exposições promovidas pela Transições demonstram que a arte é muito mais do que o resultado final de uma pintura. São espaços de encontro, partilha, aprendizagem e inspiração, onde cada participante revela um pouco da sua sensibilidade e da sua forma de olhar o mundo.
Acredito que a pintura tem a capacidade de aproximar pessoas, despertar emoções e criar laços. Cada tela conta uma história. Cada cor transmite uma emoção. E cada obra representa um pequeno pedaço de quem a criou. É isso que torna esta comunidade tão especial.
António Vaz
Julho 2026
