Amélia Monteiro

Quando somos desafiados a esclarecer o motivo que nos leva a determinadas ações, o arrancar de recordações é inevitável.

Os livros sempre foram desde pequena, um companheiro inseparável pelas mais diversas razões. Livros antigos com lombadas carcomidas, rasgadas, quando existiam, e páginas com palavras já gastas, muitas vezes resgatados dos caixotes do lixo de casas mais abastadas.

Estudar era uma obrigação muito rígida e com horários bem estabelecidos. Quando o cansaço se instalava abria o dicionário enciclopédico da Lello e percorria as sua gravuras maioritariamente monocromáticas analisando cada pormenor, cada risco, rabisco também. Imaginava histórias atrás de cada imagem, pouco me importando sobre a sua veracidade. O relógio cumpria a sua função, mas para mim avançava aos solavancos, ora rápido, ora lento dependendo do entusiamo do desenho observado e da viagem que me proporcionava.

Quando visitava os museus de pintura ficava tão focada na forma como o artista criava as obras que tudo a volta deixava de ter expressão.

Seguir uma carreira artística à época era muito arriscado, teria de ser uma formação que permitisse uma saída mais sólida no mercado de emprego, razão pela qual tirei o curso de engenharia química no IST .

Mas a nossa consciência sabe bem quais são as verdadeiras paixões e um dia, há mais de uma década e meia, sem nenhuma explicação plausível senti um impulso enorme para aprender a desenhar e a fotografar, ambas em simultâneo.

A minha linha era muito limitada, mas tinha lido algures a frase de John Ruskin, "Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar."

Inscrevi-me num curso de verão sobre corpo humano e fiz a minha primeira viagem fotográfica. Os desafios encontrados foram enormes e ficou claro para mim que teria de dedicar o meu tempo a explorar estas manifestações artísticas que tanto me encantam.

Entrei num curso de desenho e tive a felicidade de ver diário gráfico esplêndido. Adorei e fui durante anos, aprender com os urban skecthers, onde a aguarela é a forma de pintar por excelência…

Entre várias formações em grafite, carvão, óleo e aguarela apaixonei-me por pintura de pessoas e paisagens.

Algumas das minhas fotografias são convertidas em aguarela, especialmente as de culturas mais exóticas relativamente a nossa.

O desafio "Cultura de Países "pareceu-me uma sequência natural do trabalho que tenho desenvolvido, por isso enviei os três trabalhos

Amélia Monteiro

Julho 2026