Acilina Caneco

Sempre gostei de rabiscar e pintar. Lembro-me da professora da 1ª classe, em Lagos, me levar para casa dela, e me pôr a desenhar e pintar com lápis, um pássaro. A memória que me ficou era dum pássaro bem desenhado, com muitos pormenores e cores vivas.

Depois, quando adolescente, para me entreter nas férias grandes, ia com uma amiga passear e parávamos para pintar paisagens. Ela tornou-se pintora, eu fui para matemáticas… No liceu também não fui muito apreciada. A professora de desenho só mostrou entusiasmo pela minha pintura, quando, um dia, eu misturei todas as cores que tinha, porque queria pintar o céu, mas a tinta azul tinha acabado. Já tinha tocado para sair da aula e eu continuava esforçadamente a tentar e a misturar cores que dessem a ideia de céu. Nessa altura ela gostou do resultado e achou que era talento…

Também tentei o retrato. Quando já estava a fazer o mestrado no Técnico, e fui requisitar um livro à biblioteca da Faculdade de Ciências, descobri dentro desse livro, um retrato do meu irmão, assinado por mim.

Enfim… pinto por gosto, sem esperança de que venha a ser apreciada.

Durante a minha vida profissional, este meu hobby esteve adormecido.

Agora, com a Transições, tenho sido estimulada a retomar esta actividade. Os desafios são um excelente incentivo. Gosto de desafios. Ver os meus quadros expostos em várias exposições é muito mais do que alguma vez sonhei. Tentar vários estilos, procurando o meu, apurar o meu gosto, tem sido mais fácil com este grupo. Estou infinitamente grata ao António Vaz e à Hélia por me incentivarem a acreditar mais em mim.

Acilina Caneco
Julho 2026