5º Aniversário - Isabel Abreu

Testemunho
Entrei nas Transições através de uma amiga de longa data — posso até dizer, da minha melhor amiga — e, por isso, a minha chegada aconteceu de forma naturalmente bonita, ancorada numa relação de confiança e afeto.
Ao mesmo tempo, tinha aceite uma pré-reforma inesperada. Curiosamente, foi também a educadora do meu neto mais velho quem reforçou essa ideia, dizendo-me: "Agora vais mesmo precisar de entrar no grupo das Transições." Essas palavras acabaram por fazer ainda mais sentido quando percebi que um projeto antigo meu — os "jantares em minha casa", que já existiam há cerca de 14 anos — ganhava uma nova vida com esta fase da minha vida. Com mais tempo disponível, pude dedicar-me a ele de forma mais plena, reforçando e valorizando aquilo que sempre gostei de fazer: reunir pessoas.
Foi neste cruzamento de vários eixos da minha vida que me inscrevi nas Transições, confesso que sem grande informação sobre o que seria, na prática, participar nesta organização. Num desses jantares — agora "jantares em nossa casa" — alguns membros das Transições decidiram inscrever-se, e foi assim que comecei a conhecer pessoas como a Ana Paula e o Rodrigo.
Mais tarde, participei numa apresentação sobre uma viagem inesquecível que tinha feito à Namíbia. A partir daí, já nem sei exatamente como aconteceu, mas a Hélia e o Rodrigo acabaram por me convidar para dinamizar a comunidade da cozinha.
Hoje, o que sinto é que quase nem dei pela passagem da vida ativa para a reforma. Continuo cheia de "trabalho", mas de um trabalho que me dá prazer, que me realiza. E, acima de tudo, sinto-me profundamente acolhida. Há uma estranha — e ao mesmo tempo muito confortável — sensação de já conhecer estas pessoas há muito tempo, como se estivéssemos todos ali para um reencontro.
Aliás, nos últimos tempos, tenho sentido isso em vários aspetos da minha vida. Não sei se é da idade, mas parece-me que estou a reviver encontros e sensações familiares, que me trazem segurança, calor e uma espécie de certeza tranquila: "voltámos a encontrar-nos". Há pessoas, inclusive nas Transições, com quem sinto uma empatia muito especial, como se já fizessem parte da minha história há muitos anos.
Talvez as amizades e as energias se reconheçam muito antes de nós termos plena consciência disso. Talvez haja encontros que não começam no momento em que acontecem, mas muito antes — e que simplesmente se revelam quando estamos prontas para os viver.
Isabel Abreu
Abril 2026
