5º Aniversário - Entrevista com Cristina Semião

Entrevista a Cristina Semião
No âmbito da celebração do 5.º aniversário da Transições, conversámos (Ana Paula Melo e José Timóteo - PeJ) com Cristina Semião (CS), a principal responsável pela organização do jantar comemorativo.
Num evento que reuniu mais de uma centena de participantes e deixou uma marca muito especial em todos os presentes, quisemos perceber como nasceu esta iniciativa, o que esteve por detrás da sua concretização e que aprendizagens resultaram desta experiência.
PeJ: Sabendo o crescimento que a Transições teve e tem nestes últimos tempos, qual a foi o primeiro pensamento que te passou pela cabeça quando se falou neste evento?
CS: Quando vi que a Transições estava a celebrar já os 5 anos de existência, e que havia crescido exponencialmente de 20 fundadores para mais de 500 membros nesse espaço de tempo, o primeiro pensamento foi de admiração. E digo admiração, não no sentido da surpresa, mas no sentido de fascínio por testemunhar como um grupo organizado, sem estrutura oficial, pode crescer e prosperar desta forma, num espírito comunitário, através de trabalho exclusivamente voluntário e solidário. Era um marco suficientemente importante para deixar passar em branco. Havia que fazer algo para que os seus membros o reconhecessem e o celebrassem também.
PeJ: O que te levou a ofereceres-te para organizar este jantar de aniversário da Transições?
CS: Ofereci-me porque percebi que o grupo habitual que organizou os jantares nos anos anteriores estava com dificuldades de agenda e dificilmente conseguiria pôr de pé um evento este ano. Tendo eu participado há uns tempos na organização de um outro almoço de aniversário de empresa para cerca de 400 pessoas, pensei que seria capaz de levar a cabo a tarefa. Por isso, recusei não termos o nosso jantar e, num momento algo impulsivo, confesso, voluntariei-me. Não íamos deixar passar a data em branco, isso era ponto assente.
PeJ: Entre a escolha do restaurante e todas as outras atividades (cartões de identificação, o quiz, a mesa de photo booth, a lembrança), o que gostaste mais de fazer? De onde vieram as ideias/inspiração? O que foi o mais desafiante?
CS: Na realidade gostei de todas as actividades — todas foram muito gratificantes e algumas também desafiantes.
Começando pelo restaurante, passou por uma short list onde identificámos, com a ajuda da equipa de gestão da Transições, três possíveis opções. Havia depois que os contactar e negociar as melhores condições na relação preço-qualidade. O que me agradou muito no Bérrio foi a disponibilidade para que a sala fosse exclusiva para o nosso jantar (o que não acontecia com as outras duas opções), bem como a localização fantástica junto ao mar — imaginei de imediato a esplanada como um espaço agradável de convívio — e, por fim, a simpatia com que me receberam e acederam a todos os pedidos. Foi, de todas, a atividade mais fácil.
Com o restaurante resolvido, havia agora que pensar no que poderia acrescentar para transformar um simples jantar num verdadeiro momento de convívio e celebração. E foi a palavra convívio que me norteou, desde a criação do convite. Na minha vida profissional já tinha tido o desafio de juntar pessoas desconhecidas e promover espírito de equipa, pelo que apliquei aqui a mesma lógica.
Os cartões de identificação eram essenciais para facilitar a interação, e os marcadores de mesa ajudaram a organizar as escolhas dos pratos. Tudo foi impresso em casa — com algum custo em toners e algumas "marcas de guerra" no processo de corte — mas com um resultado final muito gratificante, com ajuda da família incluída.
Por outro lado, saber nomes não é suficiente para estimular a partilha. Daí nasceu a ideia das apresentações por mesa e do jogo de trivial, que permitiu criar envolvimento e, ao mesmo tempo, dar a conhecer melhor a dimensão e evolução da Transições. A Hélia foi fundamental na disponibilização dos dados e rapidamente tínhamos o jogo estruturado. A solução das bandeirinhas e do "porta-bandeira" acabou por funcionar muito bem como elemento agregador.
Desde o início, para mim era essencial que o evento fosse divertido. Daí surgiu o conceito do photo booth, com balões e props. A montagem — especialmente o arco de balões — revelou-se mais exigente do que o esperado, mas contou com a ajuda preciosa da equipa do restaurante. O resultado compensou: num contexto em que as imagens fazem parte do quotidiano, foi uma forma eficaz de promover interação, descontração e proximidade.
Por fim, a ideia mais desafiante foi a lembrança. Queríamos algo simbólico, mas sem custos elevados. Surgiu então o magnet, com base em ideias "DIY". Encomendei mini-magnets e, depois, trabalhei o conceito: uma frase inspiradora baseada em testemunhos reais dos membros da Transições. O formato exigiu várias tentativas até chegar a uma solução simples e eficaz. Com materiais que já tinha em casa, conseguimos criar uma lembrança alinhada com o espírito da comunidade.
PeJ: Como descreves o ambiente do jantar? Correspondeu ao que imaginavas?
CS: Achei que o ambiente foi de calor humano, de exaltação no melhor sentido da palavra. Creio que se experienciou um sentimento de pertença e fraternidade que eu talvez tenha ambicionado, mas sem a certeza de que resultaria. Excedeu claramente as minhas expectativas.
PeJ: O que é que esta experiência te ensinou — sobre organização, sobre as pessoas, ou até sobre ti própria?
CS: Já tinha passado por experiências semelhantes, pelo que o maior ensinamento é que as pessoas respondem positivamente quando estimuladas. Sou uma optimista por natureza e acredito que, quando há empenho do início à concretização, o resultado tende a ser muito gratificante.
PeJ: Valeu a pena todo o esforço? Porquê?
CS: Acho que sim, mas é o feedback dos participantes que, em última análise, dita se valeu ou não a pena.
PeJ: Se tivesses de resumir este projeto numa palavra ou imagem, qual seria?
CS: À boa maneira da Transições, penso que só há uma palavra possível: um desafio à maneira!
PeJ: Achas que este tipo de eventos contribui para fortalecer a comunidade? De que forma?
CS: Sem dúvida. Pelos comentários que recebemos, nasceram novas amizades, surgiram vontades de experimentar novas atividades e acredito que, nas sessões online, o facto de as pessoas já se terem encontrado presencialmente cria maior proximidade e confiança na participação.
PeJ: Que mensagem final queres deixar aos nossos membros?
CS: Que foi um orgulho e um verdadeiro privilégio ter trabalhado neste projecto. E agradecer a todos os que participaram. Por muito boas ideias que existam, sem a participação dos membros da comunidade não se atinge nada — seja num jantar ou na vida. Bem hajam!
Obrigada, Cristina, foi uma organização maravilhosa que contribuiu para que o 5º aniversário fique para sempre gravado na nossa memória.
Abril de 2026
