Desafio "O meu Bairro"

Vila de Coruche

Margarida Cardoso e Adriano Lanhoso  

Casa do Canal

Rua de Coruche

Vista do Castelo

Descida do Castelo

Igreja do Castelo

Restaurante "O Farnel" em Coruche 

Margarida Cardoso e Adriano Lanhoso propõem aos membros da Transições uma visita à vila de Coruche, que teremos todo o prazer em guiar. A distância a Lisboa são cerca de 100km, que se fazem em cerca de uma hora e meia (ver texto anexo).

Propomos que esta visita seja marcada num sábado, já que toda a vila se anima de manhã, fechando todo o comércio a partir da uma da tarde. Assim, a visita à vila será até essa hora, com alguns pontos de interesse que serão explicados pela Margarida.

Quanto ao almoço, deixamos à consideração de cada um uma das seguintes opções:

  • almoçar no restaurante 'O Farnel' (que nós podemos combinar/reservar/orçamentar previamente), ou
  • trazer o seu farnel e ficar à beira-rio, num parque de merendas simpático, ou ainda
  • terminar a visita

Depois do almoço convidamo-los a ir até à casa dos cantoneiros do Divor (a nossa casa de fim de semana, a 6 km de Coruche), para mais um cafezinho, incluindo a explicação, pelo Adriano, de um troço do canal de rega do Vale do Sorraia, colado à casa (ver texto anexo).

Em resumo:
1 - Encontro entre as 10:30 h e as 11 h no café 'Del Rio', numa esplanada sobre o rio Sorraia, enquanto os participantes se reúnem (existe ali um parque de estacionamento chamado Parque do Sorraia)
2 - Passeio pela vila, que estimamos demorar cerca de duas horas, e uma distância de cerca de 3 km e que inclui: 

  • visita ao mercado
  • percurso pela parte antiga de Coruche, incluindo o largo da CM, o pelourinho, outros.
  • subida à igreja da Nossa Senhora do Castelo e ao miradouro do Castelo (600 m)
  • descida para a zona ribeirinha, e percurso à beira-rio (cerca de 1 km)
  • Almoço no restaurante 'O Farnel' entre a 13:00 h e as 14:00 h, ou piq-nic à beira-rio em parque próprio, para quem preferir
  • o percurso à beira-rio até ao Parque do Sorraia (cerca de 1 km)
  • Visita à casa dos cantoneiros do Divor e a um troço do canal de rega
  • conclusão do programa pelas 16 h

Anexos:

1 - texto 'A viagem até Coruche'   (abaixo)

2 - texto 'O canal de rega do Vale do Sorraia' (abaixo)

As estações do ano ideais para a visita serão a primavera e o outono.

Até breve!

Adriano Lanhoso 

A viagem até Coruche

Coruche fica a cerca de 100 km de Lisboa, percurso que se faz calmamente de carro numa hora e meia, passando a ponte Vasco da Gama para o sul, e depois seguindo na direção de Porto Alto, até virar para Coruche pela N119. Já não se pode ir de comboio a partir de Lisboa, a linha existe mas só para mercadorias, mas de autocarro sim, demorando uma hora e quarenta; não sei aconselhar sobre isso porque nunca tive essa experiência. Sobre o trajeto de carro posso opinar: mal se entra na estrada nacional N119 na direção de Coruche, rodeada de sobreiros, respira-se um ar diferente. Há que ter cuidado com os limites de velocidade, em geral 90 km/h, mas quase de repente passam a 70 e depois a 50 nas localidades que a estrada atravessa sem outro aviso nem mudança de paisagem, por vezes com um radar posicionado em estilo caçador, apontado aos menos avisados, como é o caso do que está à entrada de Foros de Alvalade.

Quem vem da linha de Cascais pode optar pela CREL (A9) e depois pela A10 para Benavente, A13 para Sto. Estevão, indo parar à mesma N119, saindo a viagem um pouco mais cara em portagens, cerca de dez euros para cada lado. A paisagem também tem a sua beleza, passando pelas encostas que rodeiam Arruda dos Vinhos, depois atravessando o Tejo na ponte do Carregado, mas... é autoestrada – depende do estado de espírito, mas nada como a estrada nacional rodeada de sobreiros. Pessoalmente, como vivo em Cascais, tenho de avaliar como está o trânsito na A5 e na segunda circular até entrar na ponte Vasco da Gama, para decidir se vou por aí ou se viro logo pela CREL em Oeiras.

Passada a viagem, que se espera agradável, pela planície e pela lezíria ribatejana – embora politicamente já não exista Ribatejo, e hoje Coruche faça parte do Alentejo – concordamos que a paisagem ribatejana existe, apesar de já não existir a província, e é algo diferente da alentejana, que mais não fosse porque tem água abundante... é assim um género de Alemanha em Portugal, com água e planície, uma agricultura equipada naturalmente para o sucesso.

Há uma rotunda no caminho que tem uma maravilha de escultura, alusiva aos trabalhos de descortiçamento. Tão realista que chegámos a duvidar se as cegonhas nos ninhos seriam de verdade ou parte da escultura, já que essa inclui uma lebre e uma raposa. Mas sabemos que os ninhos são de verdade, e resistem mesmo às piores tempestades; as cegonhas marcam a paisagem com a sua presença, copulando na hora certa, para toda a vida, indiferentes ao tráfego, tratando da descendência ano após ano, só um de cada vez, não havendo espaço para mais, acompanhando o resto do caminho. Dizem que com as alterações climáticas deixaram de ir passar o inverno a África, poupando-se assim aos incómodos da viagem.

Pois chegando à rotunda do montado, onde se anuncia Coruche como a capital da cortiça, virando à esquerda para Coruche passamos por cima de sete pontes, algumas delas de grande beleza arquitetónica, em ferro, encarniçadas, a última delas por cima do rio Sorraia, que banha a cidade. Afluente do Tejo, quase não corre de verão, mas proporciona uma praia fluvial muito agradável, graças às comportas insufláveis instaladas numa outra ponte, mais a jusante da praia, que mantêm o seu plano de água ao nível desejado. Uma das atividades famosas ali é a pesca desportiva, tirando partido desse plano de água, e outro aparte: chama-se assim mas quem faz desporto é o peixe, como dizia o meu pai do hipismo: quem faz desporto é o cavalo... mas pelo menos eles voltam com vida depois de pescados e pesados, voltam a nadar sem saber bem o que lhes acabou de acontecer, talvez falem aos netos sobre o turbilhão da vida acima da superfície.

Um dos dilemas que temos sempre ao chegar a Coruche é a escolha do restaurante. São ótimos. Há vários. Sem ser exaustivo, enumeramos os nossos preferidos, por ordem: Coruja Chef, Farnel, Sabores de Coruche e Ponte da Coroa. Cada um pelas suas razões, que pouco têm que ver com comida, que essa é sempre ótima, nem com a simpatia, que também, mas sim com a ocasião. De verão e à noite, preferimos o Coruja Chef, porque tem uma zona exterior muito agradável, com vegetação à volta e um tanque de tartarugas. Se queremos um espaço amplo, preferimos o Farnel. Se é dia de poucas enchentes, preferimos os Sabores de Coruche, e se nos apetece frango assado, e ainda for cedo, vamos ao Ponte da Coroa. Nunca vamos ao fim de semana aos Sabores de Coruche nem ao Ponte da Coroa. Nem ao Coruja Chef se estiver frio. Para o nosso almoço em grupo, recomendamos o espaço amplo do Farnel.

O canal de rega do Vale do Sorraia

O canal de rega é gerido pela Associação de Regantes do Vale do Sorraia, cuja sede é um marco bem visível no último quarteirão à direita da av. 5 de outubro em Coruche. Realizei o primeiro projeto para essa associação no início dos anos noventa, e o último mais de vinte anos depois, em 2014. Ao todo foram mais de trinta obras, para facilitar a supervisão e controlo à distância dos níveis de água no canal. O primeiro projeto incluía três pontos de vigilância dos níveis de água do canal e da abertura de comportas existentes, e fazia parte da solução um daqueles modems que apitavam como cigarras desafinadas, e um computador com ecrã preto, ainda a funcionar em MS-DOS. Já por essa altura os regantes surfavam na crista da onda tecnológica, porque lhes poupava aos engenheiros da Associação inúmeras viagens de jipe acima e abaixo, e porque os ventos dos fundos europeus sopravam a seu favor à época.

A rega propriamente dita só funciona de meados de março e meados de outubro. O canal tem duas tomadas de água distintas, uma começa num canal de pequenas dimensões na barragem de Montargil e a outra num canal de maiores dimensões lateral ao açude do Furadouro, onde existem descargas de cheia da ribeira da Raia, que por sua vez tem origem na barragem do Maranhão. Estes dois canais juntam-se no Nó de Sta. Justa, uma obra de hidráulica digna desse nome, perto do Couço, e depois percorre cerca de 50 km até perto de Benavente, onde se divide em dois ramos, um acabando perto da foz, onde o Sorraia desagua no Tejo, e outro vai quase até aos campos de arroz perto de Samora Correia. No seu percurso o canal vai serpenteando nunca muito longe do rio Sorraia, que por vezes serve para descarga da água do canal, por exemplo no final dos distribuidores que regam as áreas agrícolas, e outras vezes serve de reservatório do canal, por isso aqui e ali existem estações de bombagem para, se for preciso, trazer água do rio para o canal.

Mesmo ao pé da casa dos cantoneiros do Divor há várias obras de hidráulica a considerar, que podemos visitar se houver interesse, uma delas uma comporta AMIL, um sistema de flutuadores e contrapesos destinado a manter um nível de água constante no canal a montante, o que permite a montagem de módulos de rega para um distribuidor de água que serve um terreno agrícola, sendo cada módulo aberto ou fechado conforme as solicitações. E cada módulo fornece x litros de água por segundo, os mais estreitos são de 10 litros, os mais largos de 30, 50, e por aí fora. Esta quantificação é possível devido ao ressalto Neyrpic que suporta os módulos, desde que se considere fixo o nível de água no canal, o que é garantido pela comporta AMIL. Um pouco mais a jusante, uma comporta de fecho manual do canal, para situações de emergência, e também uma descarga de fundo, que é um orifício circular com um metro de diâmetro, cuja válvula abre automaticamente caso o canal ameace transbordar, o que vai encaminhar a água do canal por um tubo enterrado até ao rio Sorraia, em Coruche.