Desafio Viajar para fora, Viajar para dentro

Viagem intimista
No verão de 2025, viajei com as minhas duas filhas pelo centro e norte de Portugal, percorrendo alguns dos locais onde fui, há cerca de 40 anos, com a minha mãe. Esta viagem aproximou-nos de uma maneira diferente do habitual e criou laços mais fortes entre mim e ela. Com as minhas filhas penso que aconteceu o mesmo, tornando-nos mais companheiras. Embora a viagem com a minha mãe tenha sido também uma "peregrinação" aos locais da infância e adolescência, em busca de referências e amizades antigas, teve como consequência para ela uma certa desilusão e muita saudade. Para mim, foi uma tentativa de conhecer o passado que não vivi, a não ser através das memórias transmitidas. Hoje e olhando para trás, acho que não aproveitei melhor o tempo em que a minha mãe ainda estava comigo, para compreender melhor a sua vida e, sobretudo, a sua maneira de ser e de estar. Gostaria de ter tido, na altura, curiosidade para ficar a conhecer todos os problemas por que ela passou e a razão que que a tornaram a pessoa que eu conheci. Algo dela passou para mim, embora sempre me tenha sentido mais próxima do meu pai, o qual, embora não tenha estado tão presente na minha vida, me deixou a visão otimista da vida e a vontade de viver com boa disposição.
Para quem ainda tenha o privilégio de ter os seus pais vivos, só quero dizer que aproveitem ao máximo o tempo que passam com eles.
Rita Rabaça
