Desafio Viajar para fora, Viajar para dentro

Esquiando em Cervínia

Talvez seja por ser um esquiador fraquinho, que se meteu nisto com 40 anos de idade, quando muitos começam aos 3 ou 4 anos, ou por ser um ambiente muito diferente do que vivemos no dia-a-dia, a verdade é que descer uma montanha nevada, desde milhares de metros de altitude, em cima de duas "tábuas", num piso irregular e, por vezes, com má visibilidade, ou talvez por tudo isso, esquiar é do melhor que conheço para me absorver e me concentrar em mim mesmo e esquecer o mundo exterior. Garanto-vos que é melhor que yoga! 

Este ano já tive o privilégio de poder desfrutar duns dias em Cervinia, no Vale de Aosta, em Itália. 

Não sou um desportista e não faço isto para competir mas, é verdade que, conseguir esquiar a um nível relativamente bom, com 60 anos, tendo começado tarde, faz com que me convença ainda mais das nossas capacidades e de como nos podemos superar. É certo que, no final do primeiro dia, descobrimos alguns músculos "novos" e que, quando passamos em neve mais irregular, ou alguém se cruza à nossa frente, há uma certa vertigem, mas isso é o que faz do ski uma actividade fantástica, para me concentrar em mim e não pensar nas mil coisas que tenho que resolver - é isso, ou cair montanha abaixo!

Mas não é só adrenalina, que, para isso, há muitas outras coisas, e eu nem sou muito disso. É a beleza da montanha e da neve e todo o ambiente que aí se vive. É para mim a melhor maneira de viajar para dentro.

João Gonçalves

Março 2026