Desafio Viajar para fora, Viajar para dentro

A Viagem!
Imerso um mundo de transformação contínua em que os benefícios da tecnologia prolongam o engenho humano, mas parecem constranger-lhe a linguagem da alma, tantas vezes um mero jogo de espelhos em que o objeto substitui o sujeito enquanto nexo do mundo, escuto o relógio da existência nas indagações do futuro.
O tempo cumpre mais um ciclo na procura da felicidade, eternizando o momento no símbolo e no facto. E nele retomo a viagem há muito iniciada, sem plano na sua génese nem um cognoscível fim.
Uma viagem não é fado ou destino; é paragem e retorno, prazer e dor, risco e harmonia, desencanto e deslumbramento, realidade e ilusão, amor e perda, grito e silêncio… E em todos os caminhos em que se bifurca, em todos os lugares que visita, é permanência e presença mesmo no hiato da distância ou na remissão da saudade.
Não partimos nem terminamos sós por muito que temamos a solidão do grande silêncio, a incógnita do nosso propósito em ser para o mundo.
Porque ninguém viaja sozinho…completa-se nos outros, na mão amiga, na luz do sorriso, no apelo do corpo ou no bálsamo das palavras. E com ele constróis o fonema dos elementos: o mar revolto, a fertilidade da terra, o fascínio do fogo, o éter livre em que idealizas o ser para o mundo. E crias, geras, persistes e perduras na obra, nos filhos, na esperança, no sonho no olvido da condição de mortal em que és e procuras ser.
A nossa aventura continua, Teresa, simples e singela mesmo nas intermitências da virtude e do erro. Talvez o casamento seja menos aliciante que a paixão tal como o romance parece mais cativante que a história…, mas será sempre descoberta e quimera tal como num livro a pedagogia é somente uma fração ou perspetiva do espírito do mundo.
Consigamos nós sempre percorrer uma outra vez na nossa união os múltiplos modelos da comunhão e permaneceremos juntos e livres numa viagem única e irrepetível, felizes pela fruição da vida e por não sermos figura de ninguém!
Do coração!
Francisco Esteves


