Desafio Viajar para fora, Viajar para dentro

"Sawadee ka!!"

Chegas e despojas-te. Começas pelos sapatos, ficam do lado de fora e entras descalça... Um sorriso de mãos juntas e uma inclinação para ti e para o teu eu, saúdam-te.

Consegues caminhar descalça?...

A língua não ajuda, mas os olhos sim, comunicas saltitando palavras aqui e ali e, quem te recebe, também lá vai saltitando, mas tem sempre um sorriso no rosto e nos olhos.

A temperatura toca-te o rosto e invade-te não só a roupa, mas a alma. Tiras a malha leve que trazias por cima de uma blusa ocidental, sentes que ficas ainda mais nua..., mas sabe-te bem.

Tratadas as formalidades conduzem-te ao local onde irás acordar todas as manhãs com aquele som das cigarras que vai aumentando conforme o sol chega e se desloca na ilha até à praia.

Também aí entras descalça.

É o teu espaço, por isso deixas lá fora tudo o que se agarrou a ti e começou pelos sapatos..., ali só entras tu.

Olhas a ilha, tem tudo para ser feliz e feliz contigo ou tu com ela.

Aprendes que andar descalço é uma liberdade nunca permitida no Mundo de onde vens; aprendes que sorrir faz parte da tua alma e já tinhas esquecido; aprendes que ali não precisas do relógio, nem do telemóvel a não ser que queiras registar alguma imagem..., também aprendes que nenhuma imagem terá aquele som, aquele cheiro e aquela liberdade.

Com os dias, não precisas de escolher, não precisas de decidir, não precisas de antecipação..., é como se fizesses parte da ilha e respirassem ambas ao mesmo tempo, sentissem ambas o mesmo, foste absorvida, é uma sensação nítida de osmose e entrega.

Não há como explicar o que a Tailândia nos faz, a forma como tira de nós o nosso melhor, aquilo que pertence à Terra, ao todo e nunca tinhas descoberto em ti.

É como se conhecesses pela primeira vez um lugar onde já viveste, é como se fosses a ilha.

Despojas-te desde que te descalças, comunicas desde que o primeiro sorriso te acolhe, entregas-te com o inclinar ao Outro em saudação, e escutas, aprendes a ouvir, aprendes a sentir-te.

Escolhe uma ilha, vai sem relógio, pronta para te descalçares e passares horas dentro de água a sentir, liquidifica-te ou volatiliza-te, deixa que a ilha te envolva.... simplifica e respira, come só quando tiveres fome. Na Tailândia é tudo suave se procurares a alma do País. Deixa os grandes centros turísticos que são tão pequenos. Procura-os só para ficares a conhecer e a entender a História e o caminho que fez.

Vais voltar porque o tempo ali existe, não há falta de tempo, acho que também ele é a ilha. Purifica-te, ... despoja-te, ... existe. Descalça-te!

Adelina Barradas de Oliveira