O som da verdade

O som da verdade
A lua fala e não a ouvimos, o mar fala e não escutamos, estamos cegos e surdos pelos sons artificias e pelas imagens artificiais, já não conseguimos ouvir os sons verdadeiros
Está tudo mecanizado, tudo é fabricado, falso, artificial e as pessoas também estão a ficar,
Já não conseguem ser autênticas, espontâneas, verdadeiras, deitar-se na areia e sentir o calor do sol
Sentir a chuva na cara e lavar a alma
Ouvir o que dizem os pássaros
As árvores que falam através do vento que lhes passa pelas folhas.
Toda a mãe natureza fala connosco e só ouvimos o barulho dos carros e de outras máquinas.
Não vemos o brilho da lua e não deixamos que, entre em nós, abrimos o peito e sentimos o efeito que nos rodeia, que envolve, que nos levanta e leva para perto dela. Para o céu, para o universo, que está por toda a parte e não conseguimos sentir, tal como a força que está no ar, e que não deixamos entrar. Respirem por favor, deixem o ar puro entrar, deixem que vos encha de vida. Parem de fechar as portas e janelas, com medo do frio e do ar puro. Parem de sobreviver com ar condicionado, com vidas condicionadas.
Parem de ter medo, vejam o que está à volta: o tamanho do céu e do mar é o nosso tamanho, não temos fim, não temos limites, somos do tamanho do universo simplesmente porque somos parte dele, ainda não somos robots, ainda somos humanos e não estamos ligados a ventiladores e encharcados de químicos.
Ainda somos humanos, ainda podemos ver quando olhamos para dentro e sentir que esta energia que nos faz estar vivos só tem um nome: amor. Ele é o nosso criador, ele é o nosso destruidor, ele é tudo o que não vemos com os olhos, mas que sentimos ser importante, como quando abraçamos quem gostamos. Porque temos medo de quem nos cria e nos faz viver e nos pode matar? Porque não percebemos que somos imortais?
Não somos um corpo, somos um todo, infinito e eterno.
Ana Ferreira
Janeiro 2026
