Desafio Fotográfico
"Beleza depois dos 60"

Caros amigos, aqui vai mais um desafio fotográfico, desta vez em moldes um pouco diferentes para iniciar com mais vigor o ano de 2026.
Tema: Beleza depois dos 60
Antes de mais quero realçar que a ideia original para este desafio foi-me apresentada pela Elsa Mourão, membro da Transições. Os meus agradecimentos à Elsa pela excelente ideia, e que seja um incentivo para outros membros apresentarem ideias.
Descrição:
A beleza do ser humano não tem prazo de validade.
Ela amadurece, aprofunda-se e ganha significado
com o tempo.
Depois dos 60, cada rosto carrega histórias,
conquistas, perdas e recomeços.
As rugas deixam de ser marcas e tornam-se linhas
de sabedoria.
O olhar reflete experiências vividas, afetos
construídos e uma liberdade que só o tempo oferece.
Uma beleza que não pede permissão para existir,
que não se esconde, que se afirma.
Porque envelhecer é um privilégio.
E a verdadeira beleza não está em parecer jovem,
mas em ser inteiro.
Este desafio quer celebrar a beleza que não se mede pela juventude, mas pela autenticidade, pela força e pela serenidade de quem viveu.
É um desafio que é também uma homenagem a todos os membros da Transições, que "encaixam" nas suas regras, e que devem ser a grande maioria dos nossos membros.
Aspetos práticos para a participação
Este desafio pretende ir mais longe do que os desafios fotográficos anteriores, não só porque vai "obrigar" os participantes a envolverem-se mais na criação da foto e não apenas a procurarem nos discos do PC ou do telemóvel uma foto que "encaixe" no desafio.
- O desafio é direcionado a TODOS os membros da Transições
- Consiste em fotografar uma pessoa com mais de 60 anos mostrando a sua beleza tal como é expresso no texto acima. Pode ser um familiar, um amigo, um desconhecido, ou até o seu autorretrato !
- Não se pretende um simples retrato do retratado, mas antes que o fotógrafo faça realçar a expressão do retratado, que conte uma história da sua vida.
- Não podem participar com fotos antigas, terão de ser fotos realizadas durante o período em que o desafio estiver ativo. Será verificado por software que verifica a data em que a foto foi feita.
- A foto terá de vir acompanhada de um pequeno texto (não apenas um título), escrito pelo fotógrafo, ou por um terceiro, que realce um pouco a história e a beleza da(o) fotografada(o).
- Cada participante apenas pode enviar uma foto por forma a concentrar-se no trabalho
- Como o desafio pede mais aos participantes, e para poderem "trabalhar" o tema sem pressas, o desafio estará ativo até ao fim do mês de abril (aprox. 4 meses).
- Sendo um tema com muito potencial (foto + texto), tem grande possibilidade de poder vir a ser objeto de exposição no futuro, pelo que os fotógrafos devem garantir à priori a autorização dos fotografados para a exposição da sua foto, não só nas redes sociais (site ou outra), como em exposição pública.
Mail para envio das fotos e textos: fotografia@transicoes.pt
Data para envio dos trabalhos: A partir de hoje até 30/Abril
Jorge Gonçalves Silva, Dinamizador da Comunidade de Fotografia
Acima podem ver alguns exemplos de fotos que ilustram o desafio "A Beleza depois dos 60".
Os contributos dos nossos membros

Geneviève – 68 anos
Tinha 8 anos quando a vi pela primeira vez.
Eu tinha 10 e acabava de chegar a França.
Ela falava bem francês. Eu não.
Ela odiava matemática. Eu não.
Adotou-me, e ficamos amigas... até hoje.
Desde a infância, manteve a pele clara, quase diáfana, e os olhos cor de água.
De jovem loira, tornou-se platina com a maturidade.
O seu rosto reflete a doçura, mas também exala uma força tranquila, que eu sempre apreciei, e que equilibrou, ao longo dos anos, a minha energia transbordante e explosiva.
Um pouco tímida, sempre reservada quando era jovem, hoje respira confiança e serenidade.
Confia que as adquiriu nas loucas experiências da nossa juventude comum.
Uma simples fotografia não é suficiente para descrever a minha melhor amiga.
Tudo nos opõe. Tudo nos aproxima.
Chama-se Geneviève.
E tem, enfim !, umas belas rugas que iluminam o seu sorriso quando lhe tiro o retrato...
Graça Raposo

Lieve (Godelieve Meersschaert) – 80 anos
Nasceu uma semana antes do fim da II Guerra Mundial, a 29 de abril de 1945, na Bélgica. Godelieve Meersschaert é um nome impronunciável e que foi simplificado para Lieve pelos vizinhos do seu bairro.
Psicóloga pela Universidade de Lovaina, trabalhou na Bélgica e na Holanda e veio para Portugal em 1978 para uma estadia de três anos. Conheceu o Eduardo, como ela, democrata e ativista pelos direitos humanos, e foram morar para o Bairro da Cova da Moura em 1982, pelo período previsto de uma semana.
Estes tempos de três anos e de uma semana prolongaram-se para a Live, até 2026. No Bairro da Cova da Moura instalaram o seu lar, foram felizes, fizeram amigos e desenvolveram projetos.
Foi no sótão da casa de ambos que nasceu a Associação Cultural Moinho da Juventude. Um trabalho social de grande mérito desenvolvido por ambos. O Eduardo Pontes morreu em 2015 e o projeto foi continuado esta mulher decidida, forte e doce.
Tive o privilégio de a conhecer em 2020, em plena pandemia. Ficámos amigas e partilhámos crenças, histórias, sonhos e almoços que, na sua casa, confecionava para mim de forma maravilhosa e ternurenta.
Participou em muitas atividades do movimento Amadora Compassiva e conheci alguns dos seus inúmeros amigos.
Ao longo destes cinco anos, fui acompanhando a forma inspiradora como lida com os desafios de saúde e como sábia e serenamente vive cada dia.
Despedi-me dela do dia 3 fevereiro de 2026. Voltou à Bélgica para assumir o controlo da sua vida. Uma vida plena, cheia de sentido, com belos momentos e muitos desafios superados. A doença não a vence, ela não vence a doença. Não é uma luta, é um caminho. Não voltarei a vê-la, mas honro a sua vida e o seu legado com esta foto tirada precisamente no nosso último encontro.
Aqui registo a beleza que emana da serenidade do seu olhar.
Elsa Mourão

Maria da Graça Raposo – 70 anos
Portuguesa, filha de emigrantes, a viver em França desde os 10 anos.
Alguém me disse um dia "tens que conhecer a Graça, vais adorar".
Sim, conheci e adoro! Foi simples o nosso encontro, parecia que nos conhecíamos desde sempre.
Mulher pequena, magra, de olho vivo e sorriso franco, é uma dose de energia concentrada.
Desde pequena que aprendeu a superar os obstáculos, antes de mais o da língua e de uma cultura diferente. Começou a trabalhar cedo para pagar os estudos, fez de tudo um pouco, construiu um lar.
A sua casa foi sempre um local de portas abertas, onde muitos passam, ficam, se abrigam e sentem como lar.
Conjugou sempre na perfeição as culturas portuguesa e francesa. Tem a simplicidade, autenticidade, tenacidade e generosidade dos portugueses e o apreço pelas artes, a intelectualidade, o requinte e a "art de vivre" dos franceses.
Faz da vida uma partilha, que ilumina e inspira quem com ela tem o privilégio de se cruzar.
Sabe que a Vida é Dar e Receber, que "ninguém vence sozinho" e nos momentos mais difíceis teve sempre a sua rede de apoio, uma rede que construiu com amor.
Não tem medo de se expor, de pedir ajuda, a sua vulnerabilidade é a sua força.
Transformou sempre a dor em ação, a dureza da vida em leveza.
Nunca deixou que a vida lhe dissesse não, nunca disse não à vida.
Com um sorriso de menina e uma gargalhada solta, franca e livre, a Graça é, e será sempre, uma mulher sem idade.
Uma mulher pequena de alma grande. Uma Beleza que vai muito para além dos 60.
Hélia Jorge

Zinha - 101 anos
A beleza depois dos 60 pode ter muitos rostos. Neste caso, tem 101 anos e chama-se Zinha.
Esta fotografia foi tirada no dia em que celebrou o seu aniversário. Como faz tantas vezes, começou o dia cedo, às nove da manhã já estava no cabeleireiro. Depois foi almoçar com quatro amigas do grupo de pintura que frequenta todas as quintas-feiras. Só este pequeno retrato do dia já diz muito sobre quem ela é.
A Zinha viveu uma vida longa e cheia, feita de momentos felizes e de outros mais difíceis, como acontece com todos nós. Mas há algo que sempre a caracterizou, a capacidade de olhar em frente. Com determinação e uma lucidez tranquila, foi aprendendo a adaptar-se às circunstâncias que a vida lhe trouxe, procurando sempre compreender, decidir e seguir o caminho.
Ao longo de mais de um século, construiu uma forma muito própria de estar no mundo: racional, serena e curiosa. Continua a cultivar amizades, interesses e rotinas que lhe dão sentido aos dias.
Nesta imagem não está apenas uma mulher que chegou aos 101 anos. Está a prova de que a beleza também se encontra na resistência, na autonomia, na vontade de continuar presente na vida e no mundo.
A Zinha lembra-nos que envelhecer pode ser, acima de tudo, continuar a viver com dignidade, curiosidade e alegria.
Ana Paula Melo
6 março 2026

Idalina - 66 anos
Somos amigas desde a primária, daquelas amizades que começam na inocência dos recreios e ficam gravadas no coração. A vida acabou por nos separar, durante quase 50 anos, cada uma seguindo o seu caminho. Mas o destino, com a sua ternura inesperada, voltou a juntar-nos num almoço da nossa antiga turma, "As Meninas da Primária".
Quando a vi novamente, foi como se o tempo tivesse feito apenas uma pausa. A vida nem sempre foi amável para ela, e isso sente-se nos silêncios e na doçura discreta do seu olhar. Ainda assim, apesar da timidez que sempre aparentou, preservou a sua luz própria: a boa disposição que contagia e aquela gargalhada fácil.
Reencontrá-la foi recuperar um pedaço bonito da minha história — e perceber que algumas ligações resistem a tudo, até ao tempo.
Celina Gago

A dona Alice e eu (77? e 66)
Alguns domingos por mês, como voluntária da "Pedalar sem Idade", vou buscar a dona Alice a sua casa, onde vive sozinha, para dar um passeio pelo jardim do Campo Grande, durante cerca de uma hora. Durante todo o percurso, ela conta as histórias da sua longa e atribulada vida, desde o Brasil até Portugal. E faz questão de parar para beber o seu café, acompanhado do pastel de nata, e continua a desfiar o seu colar de memórias. No domingo seguinte conta de novo tudo e eu tento ouvi-la como se fosse a primeira vez…
Ana Rita Rabaça

Ana Maria e Suzana – 68 anos
A história deste momento e destas meninas, tão bem dispostas e cheias de energia, é a seguinte:
Este pequeno e humilde banco de madeira está colocado no topo de uma colina, em Torres Vedras, e chama-se "Banco da Comunidade - Encosta-te a mim".
Estrategicamente colocado, depois de uma curta, mas íngreme escadaria, que nos tira o fôlego, tem gravado, em todas as suas faces, diversas mensagens positivas e convida, quem ali passa, a se encostar a ele, e sentir as boas vibrações que ele transmite.
Esta fotografia, é um excelente exemplo, foi tirada durante uma caminhada e reflete muito bem a boa disposição, a alegria e a beleza da Ana Maria e da Suzana, num momento de descontração e satisfação, que projeta de forma espontânea a verdadeira imagem da felicidade.
Tal como está gravado nas costas do banco, a vida é bela e devemos todos acrescentar que deve ser vivida e desfrutada independentemente da idade.
A alegria e os belos sorrisos da Ana Maria e da Suzana inspiram-nos e confirmam que pessoas felizes são sempre e ainda mais bonitas.
Rodrigo Nascimento

Luísa - 67 anos
A Luísa é a luz na sala. Não é só a gargalhada ou este enorme sorriso, é a forma como está no mundo. A alegria dela é genuína e vibrante, mas não pede palco nem ruído.
É uma amiga rara com uma alegria genuína que está sempre e sabe sempre estar.
Ser amiga da Luísa é saber que se tem um porto seguro. Ela garante o salva-vida num naufrágio e o fogo de artifício num dia de festa. E chega sempre o momento de rirmos juntas.
Mas a Luísa não é só muito alegre, é profundamente boa.
Isabel Meira

Fátima - octogenária
Cada vez que encontras uma pessoa gentil,
Deparas-te com um esforço surpreendente, um enorme compromisso,
Deparas-te com uma pessoa que trabalha continuamente sobre si mesma
Um operário do coração que faz turnos de noite em prol de todos
Estás defronte a uma pessoa que nunca escapa
Que consegue demonstrar cuidado mesmo na sua distração
Que aprendeu o silêncio perante uma provocação
Recorda que tens diante de ti uma história repleta de histórias
Longas caminhadas por aldeias que nem sequer sabemos pronunciar
Tens perante ti uma pessoa que não teme a solidão, que aprendeu a estar sozinha
A tornar-se ilha, a tornar-se sol, que fez das suas pausas uma tábua de salvação
Que fez da sua salvação uma ancora para os outros
Estás defronte a quem conheceu o desespero na pele mas não se desesperou
Cada vez que encontras uma pessoa gentil agradece à vida
Brinda ao universo, inclina-te perante o sol, inventa um domingo, organiza uma festa
Estás defronte a uma obra de arte extremamente frágil como a tela de uma pintura
Estás defronte a um museu e, não tens que pagar a entrada porque ela te é oferecida
Voluntária, octogenária, no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Eunice Esteves

Fernando Brito Valle - 84 anos
Este é o meu amigo Fernando, Cmdt Fernando Brito Valle, oficial da Marinha de Guerra Portuguesa.
Conhecemo-nos há cerca de 30 anos, e desde essa altura, com mais ou menos frequência, temos sido parceiros num desporto que ambos gostamos muito, o Golfe.
No nosso grupo de golfe o Fernando, para mim, é uma pessoa especial. E porquê ?
Porque, como ele diz, é uma pessoa de espírito jovem, sempre bem disposto, e com uma piada na ponta da língua, "presa" num corpo que já não acompanha esse espírito jovem.
Mas o Fernando, dando razão a esse espírito, não desiste, não se entrega e, com uma regularidade de 2 a 3 vezes por semana, lá se apresenta no tee de saída para mais uma volta de golfe.
E, ao contrário de muitos outros, onde eu me incluo, não usa trolleys elétricos, ou buggies, para levar o saco de golfe ou se deslocar no campo, não, o Fernando puxa o seu carrinho manual e faz-se aos mais de 8 kms dos 18 buracos do campo com o seu passinho curto, mas sempre certinho.
E, como referi acima, sempre com uma piada quando se proporciona, como na altura em que, há dias, lhe pedi para fazer esta foto, e ele me disse: "Queres ver agora que ainda vou ser capa da Vogue!"
Espero poder contar com a companhia do Fernando ainda por muito anos nos greens e nos fairways dos campos de golfe e sempre com a sua boa disposição.
Ah, já me esquecia, o meu amigo Fernando vai fazer 85 anos!
Força! Fernando
Jorge Gonçalves Silva

Manuela Rainho - 72 anos
"De olhos fechados ao mundo, mas abertos a Deus, cada Ave-Maria é um suspiro pela paz"
Pedro Bello

Bernardino Anjos - 79 anos
"A vida para mim é bem estar e brincar"
Cristina Semião
