Silêncio

25-01-2026

O silêncio é, cada vez mais, um bem inestimável, algo que devíamos apreciar, de que necessitamos, é em silêncio que conseguimos refletir, descansar, raciocinar, meditar, apreciar o que nos rodeia e os sons que nos chegam.

Refiro-me essencialmente à ausência de vozes, de conversas muito altas, de ruído humano em circunstâncias em que a introspeção se impõe, e em que as palavras nada acrescentam. Podemos estar acompanhados e conversar e comunicar com um olhar ou um sorriso de entendimento, num passeio na natureza, na observação de um ambiente, na atenção, comunicação não verbal que transmite emoção e sentimento.

O silêncio é também uma forma de praticar a escuta e dizer o essencial e necessário.

O silêncio interior pode ser confundido com isolamento, mas se este é desejado e necessário para limpar a cabeça e estar connosco próprios em certos momentos, não é mais do que o tempo que resgatamos para nós próprios.

Não sou um bicho do mato, nada disso, pelo contrário, sou sociável e gosto de estar com pessoas, gosto de conversar, de locais com muita gente, de música, de concertos, de feiras, de festas, de discotecas, de conviver.

Isso não é permitido a muita gente, que é forçada a estar em silêncio, ou é silenciada, impedida de falar ou de dizer a verdade, que é reprimida ou se fala, sofre as repercussões, seja por motivos culturais, religiosos ou ditatoriais, que provocam medo e tensão.

Outros ficam em silêncio por opção, por voto de silêncio, por devoção, em retiros de silêncio, cada vez mais comuns, talvez pelo ritmo frenético em que vivemos.

Conseguir manter a mente em silêncio, quando algo nos perturba, ou para quem simplesmente sofre de uma condição mental em que as vozes habitam em permanência o pensamento, ou para alguém que sofre tortura sonora, é penoso e pode levar ao limite.

O silêncio pode ser desconcertante, mas também muito poderoso e impactante, desde que seja saudável, livre, sem indiferença, mas sim valorizante, e não inibidor, e nos traga significado e sentido à comunicação.

Luísa Pires
Janeiro 2026